De quem é a culpa?

sábado, 27 de novembro de 2010

Confissões da poltrona

(por Marlon Vilhena)

Trilha Sonora: Bestinha (Raimundos)


Olhei a apresentadora do programa infantil sorrindo e fazendo trejeitos estúpidos pra crianças estúpidas na tevê, e foi então que resolvi ficar excitado, pra variar, arreganhar aquelas pernas lindas de puta de academia de ginástica, arrancar a calcinha dela com os dentes. Não, melhor seria estourar a calcinha com as mãos numa puxada só, levantar aquele corpo esculturado por lipoaspiração, dietas ridículas e vômitos pós-refeição e enfiar a boca bem ali no meio, sentir o perfume de rosas misturado com urina seca, forçar de verdade.

Não sei por que pensei que ali tem cheiro de rosas.

Esqueci minha xícara de café do lado.

Puxei o zíper pra baixo e libertei o Companheiro.

Sem chance. Fico de barraca armada toda vez que vejo essa cadela no ar. E querem me convencer de que isso é programa pra crianças. Ainda por cima, do tipo das inocentes. Nem quando eu tinha a idade delas eu era inocente ou imbecil desse jeito.

Tô desempregado, olhando pra tevê pela manhã, tomando café preto, mas sei bem o que é uma vadia quando vejo uma. Sorrisinho besta como aquele ali não me engana. Amanhã eu saio pra procurar trabalho, agora tenho mais o que fazer.

Essa aí deve cheirar muita farinha no camarim do estúdio. Dá pra perceber pelas olheiras mal disfarçadas com a maquiagem. Deviam despedir o maquiador pela incompetência, é o que eu acho.  Ou então ela deve trepar muito à noite, sair pra boates, fazer plantão junto com outras putas de boates pra receber por fora aquilo que ela gosta mesmo de fazer. Dar pros caras. É isso que ela gosta de fazer. Ela não me engana. Conheço bem a laia.

Vão querer me dizer agora que apresentadora de programa infantil de repente é tudo santa? Só rindo.

Vamos lá, Companheiro. Presta atenção direitinho nela. Você já conhece o serviço. Tá careca de saber como é que é.

Há-há-há.

Mandei o chefe à merda ontem, por isso tô aqui hoje, sentado na minha poltrona, praticando meu mantra. Fico de saco cheio rápido de sujeitinho querendo dar uma de sabe-tudo pra cima de mim. Querendo me passar sermão de bons costumes, de respeito aos colegas de trabalho e o escambau. Tudo porque me achou no banheiro do escritório lendo uma revista daquelas bem sujas de sacanagem, daquelas que se compra em promoção do tipo pague-duas-e-leve-três em bancas de revistas. Foda-se, todo mundo é filho sem mãe e ninguém admite a própria sujeira na qual tá metido. Resumindo: foda-se.

Aliás, o que aquele bosta fazia no banheiro, me espionando? Na certa, tava querendo alguma coisa comigo, e como sabia que eu não sou desses, veio com essa história de nhém-nhém-nhém. Engomadinho puxa-saco do diretor da firma. Puxa e lambe o saco, só pode ser.

Agora a puta de academia de ginástica começa uma cançãozinha escrota, pedindo pras crianças estúpidas acompanharem batendo palmas. Elas batem palmas. A câmera dá um close no corpo dela.

Eu acelero.

Meu Companheiro na pole position, a duzentos e quarenta por hora.

Há-há.

Do nada, me veio uma imagem da minha professora da quinta série, aquela de Ciências. Qual o nome dela, mesmo? Hoje deve ter mais de setenta anos, ou pode ter morrido, mas eu não tô nem aí. O que eu lembro era que ela gostava de mim, não sei o porquê. E nem era bonita naquela época. Que diabos. Deu vontade de fazer as honras nesse momento com ela, olha só. Não, não era bonita, ela gostava de mim, mas eu nunca gostei de Ciências.

E uma lembrança da minha segunda babá, essa sim, era jeitosa, dezenove anos, eu não tinha ainda completado dez. Ah, aquela vez que ela deu um cochilo junto comigo depois do almoço, meus pais estavam fora trabalhando. Eu acordei, fiquei olhando pra aquilo tudo na minha frente e só pensei em sentir qual era o gosto daqueles peitos. Baixei a blusa sem mangas dela só um pouquinho e botei na boca. Minha primeira vez. E a vadia fingindo que continuava dormindo. Virou a cara pro lado, mas me deixou ali, aproveitando aquele seio pequeno e macio. Ela tinha feito de propósito, com certeza, a depravada. E ainda preparou leite com chocolate e sanduíche pra mim, mais tarde.

Eu não reclamei.

Nem um pouco.

Apresentadoras de programas infantis são todas umas gostosas, já percebeu, Companheiro? E todas devem ser doidas pra trepar, isso pra mim é fato. Elas fazem pose de comportadas, mas fora das câmeras devem ir direto trepar com os amigões, depois de brincar com os amiguinhos fazendo papel de ridículas. É uma coisa saudável, afinal de contas.

Fico me perguntando por que diabos toda apresentadora de programa infantil tem que ser tão gostosa. Essas coisas estão mais pra programa erótico, isso sim.

Não é à toa que tem tanto filme pornô com fetiche de colegiais sendo curradas na sala de aula, diretores de escola dando lições particulares pra garotas levadas em seus escritórios, com direito a tapas na bunda e estocadas pra dar o bom exemplo, e por aí vai.

Só pra falar o mínimo.

Você tá indo bem, camarada. Tá quase lá. Só mais um pouco.

Repara de novo naqueles peitos enquanto ela pula com a criançada. Não é mesmo uma beleza? E as pernas, então? Ih, olha lá a bunda, agora que ela deu uma viradinha e começou a requebrar o quadril, fazendo charme com aquela boquinha fazendo biquinho.

Eu sei bem onde essa boca poderia ser útil.

Aí.

Isso.

Aí mesmo, porra.

Assim, pronto. Tá tudo certo, Companheiro. Mais uma vez não vacilou na batalha. Vou deixar você assistir um pouco do programa aqui, na poltrona. Tá cansado, eu sei.

Quer cantar junto com ela?

Há-há-há.

Pego a xícara esquecida. O café tá frio. Engulo assim mesmo.

Levanto a garrafa térmica, despejo mais um pouco pra nós dois. Um brinde à puta de academia de ginástica. Bom dia.

Amanhã vou procurar trabalho, prometo.

Será que ali no meio tem realmente cheiro de rosas?