De quem é a culpa?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Crônica ou Poema?

Trilha Sonora: Dont’ Stop Me Now – Freddie Mercury – Queen.

Cheguei pontualmente atrasado para brindar com meus amigos mais uma vez o que eles me brindam quando escrevem. Tudo bem! Não sou inglês mesmo! Além do mais, em mesa de bar não se chega atrasado, se chega depois. Sentei e compus a mesa dos quatro Elementos: dois com óculos e dois sem.
Um deles sempre me cumprimenta em inglês. Como já disse, não sou inglês e por isso nunca sei o que ele me diz. Às vezes acho que me sacaneia. Santa ignorância minha. Quem mandou estudar só Língua Francesa? Além da Portuguesa, claro!
O outro, sempre com ar muito sério (só o ar) e com a cabeça apoiada nas duas mãos, me saúda “curto e grosso”:
- Senhor!
E tem aquele outro que me olha, abre um sorriso, coça a cabeça e diz coisas incrivelmente estranhas.
- Fala, brôu!
Não demora, partimos para a roda de leitura em meio as pessoas falando e um rock de fundo que, dessa vez, estava particularmente alto.
- Vou começar! Concordam?
- “Eu posso concordar que um homem
Tenha a alma de cera.
E que o tempo, os outro,
O mundo,
Lhe gravem a experiência...”
Bom, acho que ele quis dizer que sim, que eu poderia começar. Quer forma mais poética de se dizer isso?
Carmela, um criança que brincava por ali, ficou atenta ao que se lia e, distraída e embriagada poeticamente, deixou cair sua constelação de sonhos. “Colheu estrelas partidas no céu, colou pedaço por pedaço e reformou a noite”. A nossa noite.
- Uau!!! Queria ter escrito isso.
No intervalo entre um “Instantâneo” e outro um gole de cerveja gelada. A conversa resvalou para astrologia. “Um pisciano sem par” narrava, em três capítulos, a história erótica entre ele e uma mudinha.
- Hã!! Hã!! Hã!! – Disse um advogado saindo do momento letárgico – Esse tipo de história me interessa.
Lá pelas tantas, fui acometido por uma forte crise de soluço que não me permitia mais ler poemas.
“Tudo porque não sei o que – Ic!
Mas como se fosse algo muito – Ic!
Apesar de tudo, fico – Ic!
- Não dá mais, gente, não consigo completar o poema. Se continuar, vai sair um “quase poema”. Vou ali tomar nove goles d’água.
Outros colaboradores chegaram e interagiram conosco, mas essa interação foi além bar. Nossos poemas inspiram as pessoas de alguma forma. Ou para matar alguém, ou para se suicidar, ou para amar, mas que inspiram, inspiram! Tanto é que, nessa noite, alguém, em algum canto da cidade, por algum motivo, recebeu a mensagem:
“Se Van Gogh
Tivesse uma segunda chance
Para pintar o olhar do amor
Teria pintado
O teu olhar.”
Gotas caiam do celular. Era a menina se derretendo. Coitada! Ela acreditou nas boas intenções do remetente.
Ao avançar da noite, “às três da madrugada”, me dou conta de que “eu preciso ir embora”. Olho para os camaradas que estão com a pele “breada” e digo:
- “Desculpe-me, mas eu preciso ir...”
E como “o sopro do lobo dos porcos” desapareço na noite.

                                                                                 (Por Fabio Castro)