De quem é a culpa?

segunda-feira, 28 de março de 2011

CRONIKETA VI (História do garçom Théo)

(Por Fabio Castro)

Trilha Sonora: O último dia – Paulinho Moska & Billy Brandão.

Final de noite, zona sul de São Paulo, havia ainda cinco mesas ocupadas num restaurante sofisticado quando uma quadrilha anunciou o assalto.

- Bandido: Isso é um assalto. Passem todo o dinheiro do caixa e as joias.

- Garçom Douglas: Por favor, moço, vamos passar, mas não atire.

Enquanto o garçom Douglas recolhia o dinheiro, alguns gritos foram ensaiados, mas logo abafados pela demonstração das armas de fogo. O garçom Théo observava atentamente todo o bando e foi acometido por um sentimento que transitava entre o pânico e o desejo.

- Bandido: Rápido com isso, rapá. Não tenho o dia todo. Ei, vagabundo! Solta esse telefone. Quer levar um tiro, seu merda?

- Garçom Douglas: Por favor, moço, não nos machuque!

- Bandido: Vou logo avisando que se não tiver muito dinheiro aí, vamos comer o cu dos garçons.

- Garçom Douglas: Por favor, moço, não faça isso? Estamos trabalhando e já é final de expediente. Todo mundo aqui tem família. Faz isso não!

- Garçom Théo: Cala a boca, Douglas, você não entende nada de assalto.