De quem é a culpa?

terça-feira, 19 de abril de 2011

Pérolas aos porcos na piscina

(por Marlon Vilhena)

Trilha Sonora: Gaga, Slayer, Winehouse, Viper, Queens, Zeca Baleiro, Zizi Possi, Gilberto Gil, The Beatles, Ben Harper, Jackson do Pandeiro, etc. etc. etc. etc.


Fim de semana, casarão em Ananindeua, Pará, Brasil.
— E então, o que vamos escutar?
— Lady Gaga! Põe Lady Gaga!
— SLAAAAAAYYYYEEEEEEERRRRR!
— Amy Winehouse, ela fica entre Gaga e Slayer.
Estranhamente, não houve discussão.

*****

Essa é, para mim, a melhor de todas. 
Ela conta que, certa vez, entrou num estabelecimento gesticulando e apontando.
— Rápido, Seu Manuel, uma carteira de cigarro, que eu tô com pressa.
— Tá com pressa? E POR QUE NÃO VEIO ONTEM?

*****

— Não é ressaca, mas sei lá, a cabeça tá estranha.
— Entra na piscina, ou toma uma ducha, vai se sentir melhor.
Primeiro ele reclama que está com preguiça, agora diz que está com frio demais para entrar na água.  Um antipático, enfim. Mas acabou tomando uma ducha, assim mesmo.
— E agora, melhorou?
— Eu tomei banho, não remédio.
Estúpido.

*****

— Cadê o Marlon?
— Já foi dormir, aquele puto.
— Boa noite pra vocês.
— Boa noite, Dona Fatima.
Daí alguém começa.
— Já pensou se de repente chega uma galera muito doida aqui, agora?
— É. Chega uma multidão, e a gente dizendo “É isso aí, pode entrar todo mundo! Deixa o Cabeça-de-Rato passar! O Zé Futum também!”
— É, e alguém diz “Pessoal, tem uma piscina muito boa lá atrás, tem churrasqueira, tem playground, e o freezer tá até o cu de cerveja!”
— Mas como é que a gente faz pra deixar o povo entrar?
— Alguém acorda a Dona Fatima e pede pra ela abrir o portão.
— E o Marlon?
— O Marlon que se foda. Não aguenta, bebe leite!
Todo mundo capotou à uma da manhã. Nem esperaram a cerveja gelar.

*****

— Mais uma rodada?
O grupo concorda, menos ele — o antipático — que, nesse momento, estava entretido com a música e nem deu bola.
Volto com as latas de cerveja e distribuo entre os que estavam sentados. O antipático, de pé, tinha que ser antipático.
— Ei, ei, e a minha?
Aponto para uma lata que sobrou sobre a mesa.
— Ah, bom. Pensei que tinhas pensado “Esse fodido que pegue a própria lata dele”.
Eu não havia pensado nisso. Fica pra próxima.

*****

Ela diz que, uma vez, chegou para ele toda feliz.
— Eu fiz trinta anos!
— É sério, mesmo?
A outra se aproxima e diz que também tinha acabado de completar trinta.
Ele olha para a outra, faz uma medição rápida com os olhos, expressão de nada, e volta para a primeira.
— Pois é, querida! Trinta anos?
A outra ali, procurando uma pedra no chão para se esconder.

*****

Finalmente, Slayer tocando em meio a uma chuva pesada.
— É essa a trilha sonora de “Trincheira”?
— Ainda não.
— É que pra mim, parecem todas iguais.
— Quem não tem bom ouvido pra música em geral costuma fazer esse tipo de comentário.
A outra põe lenha: “Toma!”
— Quem não tem conhecimento musical faz esse tipo de comentário.
A outra: “Égua, Mortal Kombat!”
— Quem não sabe o que é nota, acorde ou compasso faz esse tipo de comentário.
A outra: “Fatality! Perfect! Marlon Wins!”
E eu: “De que baú saiu esse Mortal Kombat?”