De quem é a culpa?

terça-feira, 5 de abril de 2011

MENINAS DO PORTO DO FOGO

(Por Fabio Castro)

Trilha Sonora: Som de folhas ao vento & muito Jazz.

Elas estavam lá!

Meninas, mulheres, senhoras.

Mas todas meninas.

Porque ali, naquele momento,

Todas eram meninas,

Crianças e,

Por algum motivo,

Encontraram-se lá.

Era a praia do Paraíso.

Mas não era o paraíso

Que conhecíamos.

Era o Paraíso que elas fizeram,

Que elas conceituaram.

E assim continuaram lá.

A olhar o fogo.

Sentadas ao redor de uma mesa de madeira,

Pareciam não se importar com o mundo.

Estavam lindas, radiantes,

HILariantes, MAternas...

O manso modo e delicado

De falar entrava em confronto

Com a labuta do dia-a-dia

Que, no momento,

Fizeram questão de não falar,

De deixar para trás,

De sequer lembrar.

Elas estavam prontas, então!

Decididas,

Fortes,

Impiedosamente determinadas

A brincar com o tempo.

Coisas de meninas...

E o tempo tornou-se presente

E ausente para elas:

Uma equilibrava-se entre as ondas e as pedras

Em função da maré e do tempo.

Outra boiava nas ondas e sobre as pedras

Curtindo a maré sem se preocupar com o tempo.

Umas embalavam-se em redes ao som da maré,

Mas desconsideravam o tempo.

Outras embriagavam-se de poesia,

Porque queriam aproveitar o tempo.

E todas estavam atentas, felizes,

Inquietas, porém livres...

Desfrutando o que parecia

Não fazer há tempos.

Mas assim fizeram.

Eram apenas dois dias,

E, àquela altura,

Ainda tinham tempo.

E, por isso,

Estavam prontas e fortes.

Sim! É isso. Prontas e fortes.

Mas sensíveis também.

Porque havia nelas

Uma sensibilidade

Não menos densa

Ao café,

Ao jambu,

À rede,

Às formigas,

À cerveja,

À caipirinha...

Eram elas que estavam lá!

Ainda assim lindas e meninas.

Regendo as quebradas soLENEs das ondas.

Rindo, encantadas

Com a poesia

De Saramago.

E, nisso tudo,

Estávamos nós.

Atônitos, uIVAntes,

Ao som de ondas CELIbatas.

E, como num “aluguel” de flores,

Contemplamos a essência da beleza

E da sabedoria

De MARGAridas.