De quem é a culpa?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

LEPRECHAUN (de Marcos Salvatore)



Absurdética freira.
Reparou? Me aproximo de você.
Não é de propósito. Algo meu quer dominar o mundo.
Apenas não resiste. Não luta por sua binecessidade.
Toma da coragem um só gole.

Mas escuta, não me julgo, nem me iludo
Só seduzo a feiúra, por causa do ouro
do pequeno leprechaun.
Sapateiro da vila. Milagre do Chaco.

Um lado meu diz que os detalhes são irresistivelmente sugestivos à verdade.
Outro lado imagina que seria assim, se acontecesse.
Outro quer estar em ocorrência, em evidência.
Eu quero! Cartazes e orgias com lobas.

Sabe o que é,
apenas mulheres deveriam escrever textos eróticos.
É um direito líquido adquirido.
Deveria ser proibido aos homens, posto que seduz.

Capricho submisso.

Mas afinal, o que trazes pra mim?
O colorido da massa, igrejas envelhecidas por baba da puta?
Só uma mulher pra transformar uma vírgula em exclamação.
Deve. Pode. Tudo.


Eu também notei o seu olhar.

Me parecia ter...
Um brilho diferente dos outros.
Perdão, me esqueci de perguntar:

Você pode ser amada por mim?
Talvez se comunicar, pra variar.
Me usar de outra maneira.
Num mantra involuntário, perene. Cheio de sentimento, de certeza.

Senti sua falta o dia inteiro.
Estou com saudades das suas reticências.
Sonhei com seus olhos, seu endereço
Acordei de madrugada e fiz amor com sua idéia.

Não se desculpe, está tudo bem.
Te socar com força foi bom, me fez sentir melhor a foda.
(aquele pedaço de cereja já deu as caras?)

Sou uma pessoa impressionável, imperdoável

Não posso negar que tinha planos de te ver de novo.
Estamos bem, como sempre estivemos?
Sem comerciais, sem oferecimentos, sem blocos?

Abraços. Tão bom te abraçar.
Não há o que perdoar.

Como é que eu,
que grito a plenos pulmões que a "realidade é o limite",
posso te perdoar por me dizer a verdade?
Quem disse, quem viu, onde estão as provas?

Você me deu paz. Libra de carne do seio.
Preciso parar de voar, preciso pousar.
Abraços. Tão bom ser abraçado.
Fator preponderante, com direito a moedas para o Bom Barqueiro.

Apenas não resisti.
Eu queria mais - estava decidido a te encontrar e te comer muito gostoso,
Uma,
Duas,
Três,
Todas as vezes.

Todas formas pagãs esquecidas pela história antiga
e castradas pelos dois mil anos da igreja, me garantem.
Se o Jesus histórico amou, então somos, estamos, seremos amados.
Positiva e operante, constante ingenuidade moral, inocente.

Meu coração e meu pau sabem
que você é a mulher mais deliciosamente tesuda que poderia existir
pro teatro louco que é o meu sexo.
Tenho fé no seu grelo, mas em todo caso dez Padres Nossos e vinte e sete Aves Marias.

Eu te amo, porra! Pra cacete!

As pessoas me notam. Eu não me sinto bem.
Ando suspirando pelos cantos.
Pareço um filho da puta.
Ontem chorei, foi uma merda.

Um cigarro atrás do outro. Depois outro e mais outro.
Você é três mil punhetas de tudo que eu queria pra mim.
De tudo que eu puder negar, munição delgada,
Fertilizante natural para alquimia de machos e fêmeas.