De quem é a culpa?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

NENHUM MERGULHO É POSSÍVEL SEM SANGRAR (versão Vilhena)

(por Marlon Vilhena)

O tema proposto refere-se à última frase do conto “Em todos os sentidos”, da grande escritora Maria Lúcia Medeiros.


Trilha Sonora: Sinfonia Nº 5 em Dó Sustenido Menor (Gustav Mahler).


Um poeta sangra amor dentro de um maço de cigarros.
Um poeta é um fodido a farejar num cabaré.
Meu poeta diz amém às putas pobres de Bukowski.
Meu poeta não tem pátria, não tem lar, nem mesmo fé.

Um poeta não se faz numa gaiola abrilhantada.
Um poeta não espera sua morte por perdão.
Meu poeta planta um mar de danações e regozijos.
Meu poeta ensaia a vida em cima de um papel de pão.

Um poema não se escreve, colhe-se das tempestades.
Um poema tem a forma de um tornado de saudades.
Um poema nunca pede para ser revelação.

Meu poema é um mergulho em ossos, carnes e acidentes.
Meu poema é um comboio de fantasmas delinquentes.
Meu poema nada sabe do que seja redenção.