De quem é a culpa?

sábado, 20 de agosto de 2011

20 Motivos Para Não Ser Cristão (Por Bosco Silva)



RESUMO: Este artigo parte da ideia de que tudo pode, e deve, ser questionado, pertencendo mesmo à própria essência da razão e da liberdade humana, o ato de questionar, contrariando, portanto, a ideia de que fatos religiosos, por serem tidos como “sagrados”, não devam ser questionados.

Abaixo, alguns motivos que me levaram a não ser cristão, tomados de alguns aspectos do Cristianismo: desde fatos históricos antigos, e fatos do presente, à ética e moral cristã.

São vinte os motivos (apenas para impor um limite), mas poderiam ser muito mais...

1. O CRISTIANISMO TRANSFORMA O QUE É DEFEITO EM FALSA VIRTUDE

O que você acharia de alguém que dissesse sentir prazer em lamber feridas de leprosos. Ou ainda: de não ter comido nada tão delicioso quanto o pus dos seios de uma cancerosa?

Antes de você esboçar uma resposta, e chamar de loucas tais pessoas, saiba que estas palavras foram pronunciadas por pessoas que são tidas, ainda hoje, como modelos de virtude e de bem viver, foram palavras proferidas pelos Santos católicos São João da Cruz (1542 – 1591) e Catarina de Siena (1347 – 1380), respectivamente; bem como Santa Marguerite-Marie Alacoque (1647-1690), que transformava vômito e fezes de doentes em alimento; certa vez afirmou que o contato bucal com as fezes de doentes suscitava visões de Cristo, como se estivesse com a boca colada em suas chagas.

Como podemos ver pelos exemplos dados, o que é tido muitas vezes como um distúrbio psicológico, quando fora da religião, pode ser cultuado como virtude quando visto pelos olhos da fé. E o que é meramente um ato de masoquismo, passa a ser visto como um ato supremo de dedicação aos pobres, de caridade e humildade. Transformando distúrbios psicológicos em virtudes cristãs.

Este texto tem o intuito de demonstrar que o Cristianismo, assim como todas as religiões, tem o grande poder de transformar o que é defeito (quando visto fora da religião), por meio da ideia de bondade, sacrifício, etc., em falsa qualidade.

DA JUSTIÇA CRISTÃ

2. Para a igreja o aborto é mais grave que o estupro, mesmo que o estupro tenha sido feito em uma criança de 9 anos, e que a gestação acarrete prejuízo a sua saúde, podendo mesmo levá-la à morte. O que a impediria, pela idéia de justiça professada pela igreja, que a criança usufrua de meios para impedir uma gestação, não apenas desagradável, como perigosa. Como aconteceu no estado de Pernambuco, em que a igreja, através do Arcebispo de Olinda e Recife, d. José Cardoso Sobrinho, botou em prática a “BELA” idéia de justiça cristã, ao excomungar, não apenas a vítima de estupro, uma menina de 9 nove anos de idade, que fora estuprada pelo padrasto, bem como todas as pessoas que a ajudaram com o problema, como médicos e parentes, incluindo a mãe da menor, menos o estuprador, é claro. E (pasmem!) a proibição do aborto é mantida pela igreja, mesmo em casos de gestação de fetos acéfalos, ou seja, de fetos sem cérebros; mesmo que a gestação seja inviável e traga possíveis problemas, tanto físico quanto psicológico à mãe.

A penalidade religiosa máxima dada pela igreja a uma criança, estuprada desde os 6 anos de idade, no caso, a excomunhão, demonstra a contradição envolvendo tal idéia de justiça dada pela igreja, já que afim de preservar uma “vida”, não apenas põe outra em risco desnecessariamente, mas acarreta, através da excomunhão, uma penalidade ainda mais grave que a morte do corpo, mas a morte da alma, uma vez que para a igreja, tal penalidade significa que o excomungado fica impedido de receber os sacramentos da igreja, e consequentemente a salvação de um inferno com penas eternas terríveis. O que fica bem demonstrado é que, como no caso da proibição de aborto de fetos sem cérebro, a igreja ainda não se adequou aos modernos meios científicos. Pois, como sabemos, não se pode viver sem cérebro. Um feto sem cérebro (e que jamais o possuirá) não possui vida. Logo o aborto, pelo menos nesse caso, jamais poderá ser definido como a interrupção da vida. Ou será que para a igreja é possível viver SEM cérebro? Talvez este seja mesmo o ideal da igreja, já que para se aceitar uma noção de justiça tão idiota como essa não se necessita mesmo de muito cérebro.

3. Você acharia justo que filhos, netos e bisnetos, de alguém que praticou um mal no passado, viessem pagar, sem terem cometido o mesmo mal, pelos crimes feitos por um antepassado? Não? Pois essa é a pena dada pela “JUSTIÇA” do Deus cristão aos humanos. Pelo erro cometido por Adão e Eva - segundo o Cristianismo nossos primeiros antepassados – pagamos com sofrimentos, ainda hoje, como a velhice, dores do parto, com o trabalho, a morte, etc. Essa forma de justiça se baseia em uma antiga, primitiva, ultrapassada, injusta e violenta forma de justiça judaica, que originou o termo “Bode Expiatório”, e que gerou o Cristianismo, em que ao sacrificarem um animal à Deus, os homens faziam as pazes com a divindade, por erros cometidos. E essa mesma noção de justiça, transparece no sacrifício de Cristo, em que este se sacrifica e toma para si as consequencias dos erros de Adão, Eva e da humanidade. Por isso ele é chamado de cordeiro de Deus: aquele que é dado em sacrifício ao Deus cristão.

Mais um belo exemplo de justiça cristã, em que as conseqüências e o castigo de outros são transferidos para alguém ou para um animal inocente.

4. É dito no livro bíblico do Gênesis, que enquanto Moisés, no monte Sinai, recebia os dez mandamentos de Deus, incluindo o sábio mandamento “NÃO MATARAS”, seu povo passou a cultuar outro deus, e a se entregar a mais extrema anarquia. E que quando este desceu trazendo as novas regras de vida ao seu povo (incluindo o famoso: NÃO MATARÁS), ao ter visto tal cena, ordenou que todos os que tinham se entregado a tal ato, fossem imediatamente mortos, menos os que continuavam fiéis a sua crença.

Outro belo exemplo bíblico de contradição e de justiça cristã. Então seria dado o direito de matar apenas aos intérpretes de Deus? É um bom argumento para justificar as milhares de mortes dos que desobedeceram a igreja durante a Inquisição. Vocês não acham?

5. Com todo esse ideal de justiça cristã, não é de estranhar que o grande defensor católico Orlando Fedeli, desse belas amostras de sabedoria e de justiça cristã ao afirmar, com base em São Tomás de Aquino, o grande filósofo cristão, e o mais influente pensador da igreja: “a pena de morte é sempre um ato de AMOR pela alma do condenado, porque, se ele se arrepende, já pagou na terra o seu crime; e, se não se arrepende, sofrerá menos no inferno, pois viveu menos tempo em pecado.”

Sem dúvida, uma bela amostra de compaixão cristã!!! Não é mesmo?

A BÍBLIA NÃO É UM LIVRO DE INSPIRAÇÃO DIVINA

6. Primeiro: é surpreendente que um ser extremamente poderoso e inteligente, como é definido o Deus cristão, possa ter escolhido um meio tão vulnerável, tão fácil de ser distorcido e interpolado quanto um livro, para espalhar suas idéias, principalmente naquelas épocas. E pode-se questionar, por isso mesmo, a autoridade da Bíblia devido às interpolações contidas nela - ato que parece ter sido bastante comum como comprova as palavras de um de seus próprios autores, como na advertida dada no livro Bíblico, apocalipse, versículo 18: “Se alguém fizer acréscimos às páginas deste livro, Deus o castigará com as pragas descritas aqui”.

7. Dizem que a Bíblia é um livro sagrado, ditado pelo próprio Deus, que contém apenas sabedorias e verdades. Se é assim, então por que existe, nela, tantos erros humanos?

No Gênesis – primeiro livro bíblico – está escrito que no primeiro dia da criação Deus fez a luz (Disse Deus: Haja luz; e houve luz. Gênesis 1:3). Porém apenas no quarto dia da criação, Deus cria as estrelas, incluindo o sol. Isso deveu-se a um erro humano de conhecimento, ou Deus errou e deu uma consertadinha depois?

8. Outro erro astronômico está em Josué 10:12 (Então, Josué falou ao SENHOR, no dia em que o SENHOR entregou os amorreus nas mãos dos filhos de Israel; e disse na presença dos israelitas: Sol, detém-te em Gibeão, e tu, lua, no vale de Aijalom.)

Na estória, Josué precisa que o dia se prolongue, por isso dá este comando ao sol: “SOL, DETÉM-TE EM GIBEÃO”. E assim, ao parar o sol, o dia se prolongaria indefinidamente. Outro erro antigo, pois achava-se, antigamente, que o sol girasse ao redor da Terra, e assim, criasse o dia. Mas obedecendo ao conhecimento, de hoje, Josué teria que dizer: TERRA, DETEM-TE, já que é a Terra que gira ao redor do sol. Este versículo bíblico foi um dos responsáveis, pela tortura, condenação e morte, na fogueira, do filósofo Giordano Bruno, por este descordar de tal afirmativa. E do quase fim semelhante do famoso astrônomo e físico Galileu Galilei, por também discordar da igreja.

9. Aquele que acredita que a Bíblia é um livro da mais pura bondade está errado. Ela está impregnada também por muita maldade. Alguns exemplos:

Em Deuteronômio 22:22-23: “Caso um homem seja encontrado deitado com uma mulher que não tenha dono, ambos têm que morrer juntos…” E continua: “…tendes que levá-los para fora do portão daquela cidade e tendes de matá-los a pedradas, e eles têm que morrer”. Um costume que continua ainda hoje, nas pacíficas e tolerantes terras das Arábias, em que a mulher adúltera é enterrada e apedrejada apenas com a cabeça de fora. E ao homem é dado o privilegio de ser enterrado com as mão de fora, para que possa defender-se das pedras.

Em II Crônicas 15:13, sentencia: “…todo aquele que não procurar por Jeová, o Deus de Israel, seja jovem ou velho, homem ou mulher, deverá ser morto”. Em Êxodo 22:20, demonstra sua absoluta intolerância: “Quem oferecer sacrifícios a quaisquer deuses, e não somente a Jeová, deverá ser completamente destruído”. Um bom exemplo da bondade do Deus cristão. Não é mesmo?

E não pensem que é apenas o Velho Testamento:

Como diz o bom Jesus em Mateus 10:34, em um momento de furor: “Não penseis que vim estabelecer paz na terra; vim estabelecer, não a paz mas a espada. Pois vim causar divisão; o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe. Deveras, os inimigos do homem serão pessoas de sua própria família. Quem tiver maior afeição pelo pai ou pela mãe maior que por mim, não é digno de mim; e quem tiver maior afeição pelo filho ou pela filha que por mim não é digno de mim”.

E há ainda muito, muito mais. É só procurar...

E falando em Jesus, temos:

DE JESUS

10. A BIOGRAFIA DE JESUS CRISTO FOI INVENTADA:

Hoje, graças ao decrescente poder da igreja e aos modernos meios de comunicação, que facilitam muito a divulgação de informações independente dos meios ainda dominados pela igreja, cresce a idéia de que a “história” de Jesus Cristo é apenas uma coletânea de partes tomadas de estórias de deuses de outras religiões, tomados de empréstimo para compor a história de Jesus de Nazaré; “(...) reunindo traços tomados dos mitos de ÁTIS da Frígia, DIONÍSIO da Grécia, BUDA do Nepal, KRISHNA da Índia, OSÍRIS e seu filho HÓRUS do Egito, ZOROASTRO e MITRA da Pérsia e toda uma série de deuses e redentores do gênero humano que o precederam em séculos, e ainda em milênios (...)”. Exemplos:

“ÁTIS morreu pela salvação da humanidade, crucificado em uma árvore, desceu ao submundo e ressuscitou no terceiro dia. MITRA teve doze discípulos; pronunciou um Sermão da Montanha, foi chamado de Bom Pastor, se sacrificou pela paz do mundo e ressuscitou aos três dias. BUDA ensinou no templo aos 12 anos, curou enfermos, caminhou sobre a água e alimentou quinhentos homens com uma cesta de biscoitos; seus seguidores faziam votos de pobreza e renunciavam ao mundo; foi chamado de Senhor, Mestre, a Luz do Mundo, Deus dos Deuses, Altíssimo… KRISHNA foi filho de um carpinteiro, seu nascimento foi anunciado por uma estrela no oriente e esperado por pastores que lhe presentearam com especiarias…”

Fato é que, independente de ser verdadeiro ou não, a semelhança entre a história de Jesus e de outros deuses, é simplesmente incrível. E acrescenta-se a isso a hipótese: se a intenção era tornar o personagem Jesus Cristo universal (católico, em grego), a melhor forma seria que este possuísse características de outros deuses, afim de torná-lo familiar à outros povos. Não é mesmo? E assim facilitar sua aceitação. O que deve ter sido útil também ao misturar a estas estórias, antigas profecias judaicas.

Contudo, muitos, ainda hoje, argumentam ser a Bíblia a maior prova da existência de Cristo. Estes argumentam que Cristo cumpriu mais de trezentas profecias sobre sua vida; muitas delas com centenas de anos anteriores a sua vinda à Terra. Calcula-se, por exemplo, que a chance de apenas oito destas profecias fosse cumpridas casualmente seria de uma em 1028 (isto é, uma em 10000000000000000000000000000). O que não se argumenta, no entanto, é que, uma boa explicação para isso seria que, a “história” de Cristo seria apenas uma criação também a partir de antigos textos bíblicos e mesmo de profecias, como falsas concretizações destas. Como, por exemplo, o detalhe da traição de Cristo por Judas, pelo valor de trinta moedas de prata, recebidas das mãos do sumo sacerdote; e seu posterior arrependimento, devolvendo-as aos pés do mesmo. Isto pode ser visto em um escrito bíblico anterior ao suposto nascimento de Cristo, o Livro de Zacarias, em que Zacarias fala do rompimento da fraternidade entre Judas e Israel: “Então o Senhor me disse: atire isso ao oleiro, esse magnífico preço em que fui avaliado por eles. Tomei as trinta moedas de prata, e as atirei ao oleiro na casa do Senhor.” (Zacarias, 11:13,14.)

Algumas dessas adaptações da suposta vida de Cristo às passagens de escritos bíblicos mais antigos, são tão forçadas que chegam a contradizer as próprias crenças do personagem Jesus Cristo; como a ocasião em que Cristo crucificado tem suas vestes disputadas por soldados romanos, por meio de apostas com jogos de dados. Esta passagem foi copiada de uma passagem do Salmo 22 (versículo 18), em que se lê: “Repartem entre si as minhas vestes, sobre a minha túnica deitam sortes.” A contradição está no fato que, se há disputa com relação às roupas de Cristo, significa que estas tinham um certo valor econômico. O que não condiz com a pobreza voluntária de Cristo.

Outra adaptação forçada é sobre a ascendência de Jesus, que segundo uma profecia do Livro bíblico de Isaías, o Messias nasceria da descendência do rei Davi. Então, faz-se pai de Jesus, José, que é um descendente longínquo do rei Davi. Até aí, tudo bem. Porém, Cristo tem que nascer de uma mulher virgem, também, para que seja isento de pecado. Conclusão: a confusão tá formada. A solução é fazer de Cristo um filho adotivo de José. Mas a profecia requeria que houvesse uma descendência carnal...

Há também a contradição com relação ao nascimento de Cristo:

Como a profecia do Livro de Miquéias (Miquéias 5, 2), afirmava que o Messias nasceria em Belém, então os escritores do Novo Testamente tiveram que também adaptar a “história” do personagem Jesus, à essa profecia:

Mateus faz logo Jesus nascer em Belém. Já Lucas faz os supostos pais de Jesus, José e Maria, irem para Belém, devido a um censo que obrigaria José ir à cidade de seus antepassados, Belém. Onde Cristo nasce. Surpreendentemente, João, não liga para essa profecia, e faz Jesus nascer em outra cidade. Seu Evangelho demonstra claramente que seus seguidores ficaram surpresos com isso, como podemos ver na passagem de seu Evangelho: "Outros diziam: Ele é o Cristo; outros, porém, perguntavam: Porventura, o Cristo virá da Galiléia? Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi e da aldeia de Belém, donde era Davi?" Cada autor, portanto, lida de modo diferente com tal adaptação da estória.

Assim, aprendemos que a adaptação de um personagem, como Jesus, a todas essas condições proféticas, tão diferentes, acarreta certo grau de incoerência à sua estória.

Em suma, a estória de jesus é tão verdadeira quanto a imagem atribuída hoje à ele. Uma imagem de um homem branco, de cabelos castanho-claros e olhos azuis; embora seja extremamente improvável, naquela época, a um homem de origem semita; refletindo muito mais as características físicas dos pintores europeus que a criaram.

11. NÃO TEMOS COMO PROVAR QUE CRISTO EXISTIU

Torna-se um problema saber se Cristo existiu. Muitos historiadores se espantam ao constatar que um personagem tendo feito tantos fatos maravilhosos não tenha deixado pegadas suas na história. Nenhum historiador moderno registrou qualquer evidência de sua existência. O que deve ter perturbado muitos cristãos daquela época, levado-os a falsificar muitas obras (e nunca é de mais lembrar que, não tendo sido ainda inventada a imprensa, tais obras eram copiadas à mão por monges cristãos, afim de preservá-las), como a do historiador judeu Flávio Josefo, que escreveu sobre os acontecimentos da época que Cristo teria vivido. E que supostamente afirmaria nas Antiguidades Judaicas: “Agora havia acerca deste tempo Jesus, homem sábio, se é que é lícito chamá-lo homem. Pois ele foi quem operou maravilhas... Ele era o Cristo... ele surgiu a eles vivo novamente no terceiro dia, como haviam dito os divinos profetas e dez mil outras coisas maravilhosas a seu respeito.” O que se questiona, aqui, como bem viu Voltaire, é que de toda uma volumosa obra apenas algumas linhas são dedicadas a Jesus, um personagem que pela quantidade de maravilhas que efetuou faria com que qualquer historiador, não-cristão, escrevesse livros e mais livros sobre ele, no entanto, Josefo, supostamente, dedicou à ele apenas algumas insípidas linhas. E mais: depois deste pequeno trecho dedicado a Cristo, Josefo passa a expor assunto totalmente diferente, discorrendo sobre os castigos impostos ao povo humilde de Jerusalém. Demonstrando ser o texto, por si próprio, uma grosseira interpolação feita por algum apaixonado adepto cristão.

Três outros historiadores são citados pelos adeptos cristãos como testemunhas da existência de Cristo:

O historiador romano Tácito (55-120), ao escrever sobre o incêndio de Roma em seu Anais, capítulo XV, p. 54, citou:

“Nero acusa aqueles detestáveis por suas abominações que a multidão chama de cristãos. Esse nome vem de Cristo, que sob o principado de Tibério, foi mandado para o suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. Reprimida momentaneamente, essa superstição horrível rebrotou novamente, não apenas na Judéia mas agora dentro de Roma”.

Já Suetônio (70-128), ao descrever a vida do imperador romano Cláudio, escreve em Vida de Cláudio, cap 25, p. 4:

“O Imperador expulsou de Roma os judeus que viraram causa permanente de desordem pela pregação de Cristo”.

E Plínio, o jovem (61-114), escrevendo para o imperador Trajano, Carta a Trajano, cap. X, p. 96, diz, o seguinte:

“Os cristãos têm o hábito de se reunir em um dia fixo para rezar ao Cristo, que consideram Deus, para cantar e jurar não cometer qualquer crime, abstendo-se de roubo, assassinato, adultério e infidelidade”.

Mais uma vez torna-se de extrema necessidade repetir a afirmação dita anteriormente:

Todos os livros e documentos, cristãos ou não-cristãos, favoráveis ou neutros à religião cristã, eram copiados à mão por sacerdotes cristãos, ao longo de toda a história antiga, afim de preservá-los e fazer com que estes não desaparecessem. Os que eram desfavoráveis à religião cristã foram imediatamente destruídos, como o livro Discurso Verdadeiro do filósofo pagão Celso, que atacou a doutrina cristã no ano 178. Celso, conhecendo um boato antigo sobre Jesus, dizia que Cristo era o fruto do relacionamento de uma judia, Maria, com um soldado romano de nome Panthera. Tal fato só chegou ao nosso conhecimento porque foi citado e negado pelo escritor cristão Orígines em seu livro - este sim amplamente reproduzido - intitulado Contra Celsum. Ato que por si só torna-se não confiável qualquer documento, que tenha sido copiado e preservado pela igreja que porventura ateste a existência de Cristo. Tal ato tornou-se tão arraigado à igreja que somente em 1968, o índex livrorum proibitorum, um serviço da igreja que classificava todos os livros contrários à crença católica, e que proibia a leitura de tais livros em estabelecimentos da igreja, ou, de modo geral, por católicos, fora desativado.

DA HISTÓRIA CRISTÃ

12. Com a descoberta, em 1945, dos chamados Evangelhos apócrifos, ou seja, de Evangelhos não aceitos pela igreja, tivemos definitivamente a prova de que existiram várias versões diferentes de Cristianismo. Isso é patente mesma na Bíblia atual, pois vemos na carta aos Gálatas, um dos documentos cristão, aceitos, mais antigo, podemos acompanhar uma discussão entre os apóstolos Paulo e Pedro: "Mas quando Pedro chegou a Antióquia, eu me opus abertamente a ele, pois é evidente que estava errado.” (Gálatas 2:11) ...“Se você [Pedro], que é judeu, vive como os pagãos, e não à maneira dos judeus, como pode obrigar os pagãos a viver à maneira dos judeus?” (Gálatas 2: 14).

Essa discussão deveu-se ao fato de que Pedro tinha uma concepção de Cristianismo diferente de Paulo. E podemos dizer que a versão vencedora, pelo fato de ser a mais conveniente com a política do imperador Constantino, foi a de Paulo; para tanto, basta apenas perceber que dos 27 livros aceitos que compõem o Novo Testamento, 13 são aceitos como de autoria de Paulo. Isto é, quase a metade.

Seria então a versão de Paulo, de um apóstolo que jamais conheceu pessoalmente Cristo, e que não pertencia ao seu grupo de discípulos, a mais verdadeira?

13. A religião cristã, assim como suas irmãs o Judaísmo e o Islamismo, sempre foi uma religião machista; desde suas origens; alimentado pelo mito da expulsão de adão do paraíso, por intermédio de Eva, sempre viu na mulher um ser inferior; e que ainda foi mais reforçada pela versão de Cristianismo de Paulo, como podemos ver em alguns de seus escritos:

"A mulher aprenda em silêncio com toda a submissão. Pois não permito que a mulher ensine nem tenha domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão;[...]." Epístola a Timóteo (2, 11-15).

"Como em todas as comunidades de fiéis, que as mulheres se calem nas assembléias, pois não lhes é permitido falar; que estejam submissas, como diz a lei. Se quiserem aprender algo, que perguntem em casa, a seus maridos, pois não convém a uma mulher falar na assembléia." (Primeira Epístola aos Coríntios, 14:34-35).

E ainda hoje as mulheres sentem este preconceito, já que ainda é dada à elas apenas tarefas secundárias na igreja. Este preconceito está até mesmo na definição do sexo feminino, já que a palavra feminino originou-se da contração das palavras: “fé” e “minus”, ou seja, fé menos.

Portanto, eu não posso aceitar uma religião que inferioriza e discrimina seres tão importantes quanto as mulheres.

14. O Cristianismo é tão machista que até mesmo sua concepção de Deus é de um Deus macho, mesmo que este não faça nem tenha sexo. E assim é, volta e meia, denominado por termos masculinos: Ele, Pai, e etc.

DA MORAL CRISTÃ

15. Para a religião cristã, como já foi visto, herdamos de Adão os castigos por sua insolência à Deus, ao nascermos. Por isso não é de surpreender que o Cristianismo odeie tanto o sexo, já que é por meio deste que nascemos e herdamos tais pecados. O que levou, por sua vez, que autores cristãos fizessem Jesus nascer de uma mulher virgem, e muitos cristãos a cultuarem, ainda hoje, a virgindade de Maria. Ou a muitas mulheres a ostentar com orgulho o fruto de seu ventre, e envergolhar-se da origem deste. Esta moral de horror ao sexo passa a ver o sexo como algo degradante, e assim tolhendo e denegrindo algo que em nós é natural, gerando uma oposição à nossa própria natureza. O que, certamente, não tem gerado bons efeitos, tendo produzido (pasmem!) até mesmo perseguições e a classificação de formas de coito permissíveis pela igreja católica. Às formas de coito não consideradas dignas do homem, por exemplo, deram o nome “coitus more canino”, isto é, coito ao modo dos cães, as formas de relação sexual em que lembra os animais, de quatro. E aos que desobedeciam tal regra, quando delatados, eram castigados até mesmo com a morte. Porém, sendo algo natural, instintivo, nenhuma proibição, ou, sentimento de culpa, iria extinguir o sexo, mas tão somente intensificá-lo e distorcê-lo, pois sabemos que tudo que é proibido é mais praticado, gerando neuroses, ou distúrbios, como os múltiplos casos de pedofilia que têm assolado hoje, e certamente, sempre, as instituições católicas, praticados por seus sacerdotes celibatários. E onde há culpa, há também castigo; gerando auto-flagelação, cujo o nome técnico dado pela igreja católica é mortificação. Dando origem a várias formas de auto-flagelação, como cintas com pontas, clausura, chicotes, etc., usados por seus sacerdotes, todos meios de aplacar os instintos naturais, vistos pela igreja como tentações demoníacas. Não admira que as igrejas estejam abarrotadas de pessoas obcecadas com os sentimentos de culpa, já que aprendem desde que nascem a identificarem em todas as coisas naturais expressões de pensamentos pecaminosos. O que tem também originado na postura incorreta da igreja de proibir métodos de redução da natalidade, e até mesmo de proibir o uso de preservativo, como meio de evitar a AIDS.

Portanto, não posso aceitar uma religião que vê algo que é natural e tão necessário em nós, como os nossos instintos, como a causa de nossa miséria.

16. É dito, na moral cristã, que deve-se tratar o outro como a si próprio. Hoje, nós sabemos que isso não é bem verdade. Pois deveríamos permitir que um irrecuperável maníaco, assassino em série, vivesse em plena liberdade, como nós? Ou deveríamos manter--nos presos juntos com eles. E assim mantermos a moral cristã intacta?

DO DEUS CRISTÃO

17. A religião cristã, assim como o Judaísmo e o Islamismo, é uma religião monoteísta, isto é, crê apena em um único Deus. Isto leva inevitavelmente muitos a acreditarem que assim como há somente um Deus, há uma única verdade e, por isso mesmo, um único modo correto de se viver. O que faz com que muitos religiosos não respeitem a opinião e o modo diferentes de viver de pessoas com idéias e crenças diferentes deles, achando sempre que os que pensam diferentes são pessoas infelizes ou erradas. O que tem gerado, não apenas muita intolerância e discussão, mas muitas guerras.

Portanto, não posso aceitar idéias que estimulam a intolerância e a discriminação, como a idéia de religião.

DO CRISTIANISMO COMO RELIGIÃO

18. Como qualquer adepto de qualquer religião, a grande maioria das pessoas tornam-se cristão apenas por hábito. Isso se dá da mesma forma que falamos português:

Por que falamos português? Porque nossos pais falavam português; porque nossos avós falavam português; porque nossos bisavôs falavam português; e assim continuamente... Até chegarmos ao fato de falarmos português por termos nascido em um país colonizado por portugueses. Da mesma forma se dá com a religião cristã. E assim como falamos português, não por esta língua ser verdadeira e ser mais importante do que outras línguas, mas porque não nos deram outra opção; somos cristãos, do mesmo modo, apenas por tradição e hábito, independente do Cristianismo ser verdadeiro ou ser a mais importante das religiões.

Portanto, não posso acreditar que uma religião é verdadeira apenas por não se ter tido outra opção em que acreditar.

19. As religiões têm como base a emoção, principalmente o medo. E o que o homem mais teme, tanto hoje quanto sempre? O medo da morte. Por isso todas as religiões tentam minimizar tal medo, mesmo aquelas que geraram “suicídio” coletivo de seus adeptos. Por isso muitos estão prontos a abraçar qualquer crença que lhes dê certo conforto emocional, que lhes possa amenizar o medo da morte, do desconhecido, da solidão, da total falta de sentido da vida, ou da morte de entes queridos, sem ter a mínima preocupação em saber se é verdadeira, pois o que lhes interessa em primeiro lugar é o conforto obtido. Tanto que muitas vezes estes reagem com VIOLÊNCIA àqueles que lhes tentam alertar sobre o perigo de sua falta de critério de verdade, como se quisessem manter-se, por livre e espontânea vontade, em tal erro, ou evitarem demonstrarem a fragilidade de tal crença. O que explica bem porque muitos, embora tendo um privilegiado intelecto, e bastante conhecimento, possuem superstições religiosas.

Porém, não posso acreditar em uma religião, como o Cristianismo, apenas porque esta me dá certo conforto espiritual.

DA CONCEPÇÃO DE LIBERDADE PARA O CRISTIANISMO

20. O Cristianismo acredita plenamente na liberdade humana de escolha, no livre arbítrio, mas todo aquele que optar por outra forma de crença, diferente da concepção cristã, será excomungado, e condenado aos piores castigos no inferno.

Uma bela concepção de liberdade, não é mesmo?, já que todos são livre desde que sigamos sempre o que nos é unicamente ditado pela igreja.