De quem é a culpa?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

LIBRA (versão Vilhena dos Signos)

(por Marlon Vilhena)

Trilha Sonora: ...,.....,..,..,,,.....,.....,......,..,......,,......,,,....,..,....,.....,.


Pelos dias e pelas noites há um horizonte a carregar expectativas vis e do que é vivente. É das flores e do escarro que falo, do brilho e da lama que nasce a palavra. Águas escorrem pela montanha mais alta e pela manhã de chuva enquanto minha alma, presumindo-se que a tenha eu, se lava com pouco e de pouco a pouco na enormidade do orvalho e da bebida. Pensante é minha morada, pois do ar ela se cria e no ar se esvanece a cada pequena tragédia. De Vênus se refaz e em Vênus se transforma em pão que me sustenta. Substância de canto e delírio, plenitude vã. Justa é a luz na ira, na bonança e na doença, justa é a beleza que entristece, violenta e aconselha. Das fotografias vêm-me sussurros de tempos mortos e um farfalhar de ramos por desabrochar naquilo que envelhece, quando envelheço. Pois envelheço cético na utopia dos homens, envelheço homem na meninice da piçarra, envelheço mar num estuário para o oceano. De súbito um engano de mim mesmo, talvez um átomo de grandeza, e então pousa a primitiva fênix nos ombros a espiar longe, longe, uma vez mais, uma vez outra. Vertem dos céus, da grama e do sangue desatinos, reticências e declarações de amor, enquanto não sei da matéria de que te constituis ou da piada que me repetes.

(Uma mentira.)