De quem é a culpa?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A SOBREVIDA DE NAPOLEÃO (de Ageu Pazoud)

In Waterloo

Ora, logo o pobre Napoleão

Dono de uma boca

inconsolável e mente arredia,

foi ter com a morte.

Gritava com ardor,

mas cheirava a desespero,

certo de que seu grito a espantaria.

Sorvia, a Morte, aquele grito.

Deliciava-se, a Morte, com tais sons.

E maior desespero, maior desespero,

despedaçava seus culhões.



Arrematava com uma argumentação de Estadista.

Sôfrego, piscava os olhos.

Detinha-se perigosamente a frente da foice.

Esquivava-se, como bom lutador

O bailar de suas pernas incomodava a Morte.

E sorvia-lhe mais um pouco da vida.

Sabedora que sua proposta final,

adentrar no abismo sem causa,

era o golpe derradeiro.



Já admitia, a Morte,

um fim para tão preparado homem.

Continuavam a digladiar-se.



Napoleão cruzava a espada no ar,

Timbalava um risco sem tons

Afastava um pouco da fumaça

O enxofre fumegava a certa distância

Ardia-lhe nas narinas

Dor, desespero, vertigem, traição,

e ainda 7 pragas capitais

combinando seu fim.



Pronto a argumentar a solução do abismo

(Lhe restavam forças ainda)

Bom lutador Napoleão...



Velho, velho, velho Napoleão.

Acordado de um sono insolente,

Despertado para ganhar o mundo,

mas sempre tão arrogante.

Apostas na arrogância tua mente.

E sofres com retidão

Mas acendes a dúvida no coração alheio.

Não te vais simplesmente,

queres antes teu reconhecimento.

Assim disse a morte.



Argumenta Napoleão:

- Tu prestas serviços ao mundo.

E julga, segundo teu argumento,

a tristeza, o ardor d’alma,

a alegria, como fins de meu tempo

ofegante, sondas a ultima maneira

de dizer que sobrevives...

sobrevives à palavra e na morte.

Oh MORTE!

sobrevives na Morte!



Enchente

Transbordante

Jogas a todos no mesmo lugar



Podes isso Napoleão!

És Senhor, e arrogante também!

Imperas sobre os mortais

Joga tua lança e amedronta-me!

Amedronta a alma alheia,

e serve-se como presente.

És um argumento forte

para eu partir.

Arrebata o som para ti

dos címbalos que ecoam

diante de um trono que já não pertence

à Zeus.

Usurpador de almas!



Toma-o! Toma-o!

Faz da vida a tomada da luz.

Mas não te cegas

Joga com as propostas e renasce!



Sem dizer nada

Sem questionar nada mais

Mas querendo muito arrebatar o mal de ti.

E o bem já te absolveu.

Julgo que o mal já te quer eterno...

Bem e Mal com vida dentro de tua morte.

Pede passagem Napoleão.



Seu suor tocou a areia fumegante

Suas pernas que bailavam

agora trêmulas, quedavam o Imperador.

O mal já lhe queria eterno.

Sobe.

Toma teu lugar.

Segue comigo.