De quem é a culpa?

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

IMUNE (de Marcos Salvatore)


Paira acima de tudo:

Feitiço criado, plantado e colhido em sua terra.
Em minha água fervido, filtrado... bebido

Não lembro de como eu era
Ao sentir você
Me cobrindo aos seus cabelos modulados
Sem dó, nem piedade

Penso apenas: “eu não era, agora sou”

E te alimentar
Com as dobras de fraseado
Da poesia diagonal

Que escorre da minha língua “ophidia”
Que se infiltra, reticente
E se dissolve em sua boca

Me cala fundo
Te ouvir me decifrar
Me assimilar

Improvisar do nosso amor
Acorde por acorde
A cada dia, a cada noite

Uma nova melodia
Não transcrita
Imune à arte de dizer adeus