De quem é a culpa?

sexta-feira, 20 de maio de 2011

SONETO XVII (de Pablo Neruda)



Trilha Sonora: cordas de violino à beira do Pacífico.


Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber quando, nem como, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.


(IN Cem Sonetos de Amor, Coleção L&PM Pocket, reimpressão de 2007, tradução de Carlos Nejar.)