De quem é a culpa?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O BIGODE E O TIO (de Haroldo Brandão)

by Caravaggio

Fomos os primeiros a chegar o jovem Mauro ainda arrumava as cadeiras. Salvattore em uma cena: um café após cigarro um café após cigarro um café após cigarro um café. agora uma cerveja e um wisk pois eu cheguei: discussão em andamento... Até os cadáveres da guerra do Paraguai e os pés das cadeiras do bar sabiam: o bigode do meu tio era uma farsa! Tantas noites embriagadas de poesia amor e luar... A grande sacada de Salvattore residia na forma livre, na liberdade Dadá, na criação da linguagem, um socialismo de oportunidades literárias, potenciais escritores, enrustidos ou não saindo do armário, bem blog (quer algo mais sem identidade?) liberando as idéias sem grilo falante. Uma viagem para além das palavras reais que fazem sentido, oníricas no cotidiano onde o esgotamento por si só trouxesse o caos e a luz    Foi muita viagem e pouco marinheiro tudo se confundindo e deixando de ter importância  novos sentidos e nem tanto a cada minuto, cada décimo de segundo na luta para parir alguma prosa poética, a vivência que traz um poema, uma profundidade rasa, na pobreza, na economia das palavras  a riqueza dos sentidos ... pausa para um gole... daí que ele foi editando quase tudo que lhe chegasse às mãos, durante um tempo a sintonia dos quatro elementos dava coesão e segurava a barra mas tanto o bigode como o tio eram uma bela farsa, uma invenção por demais e os 4 preferiram a diáspora. ..Não! não  como uma Yoko Ono o texto do Bosco não foi o bode expiatório, já havia uma inflamação egóica, uma cisão e a liberdade, a espontaneidade do bigode foi ficando burocrática, se descolando, e então revelou-se: o bigode do meu tio era uma farsa, aquilo era uma vulva empentelhada. Pedimos mais café e fomos assistir some kind of monster do Metallica.