De quem é a culpa?

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Julho/2011 (de Haroldo Brandão)

Trilha Sonora: Fleetwood Mac
Este parapeito é duro, minha coluna ereta... o céu tão azul, nuvens no meio do mundo. Onde e quando foi mesmo que eu comecei a viver? Podemos passar 2/3 da vida sem nada saber. Se Deus é um conceito pelo qual medimos nossa dor  então eu estou indolor. Naqueles dias, e não foram poucos, eu flutuava em ambientes, como um espectro eu passava e tudo/nada via.
Então veio a luz, um clarão forte como um tsunami mental, acordei e as coisas mudaram, tudo mudou, cada momento passou a ser intensamente vivido, o gosto das coisas mudou e senti um apego forte, como nunca , à vida. Crise dos 50?
Desde então pego nas mãos, com muito medo que caia delas, esta vontade/desejo/ânsia de viver (parece nome de filme). Porque é muito tênue este limite. Se você estiver na Brás de Aguiar próximo a Generalissimo, uma toca o espera, é a teia em que você se enrola e quanto mais mexe mais enrolado você fica.
Sigo assim sem secretos segredos, olhando paisagens que se tornam borrões pois meus olhos ficam marejados. Todos os dias, nos últimos tempos o excesso de novidades empurrados pela mídia, redes sociais, etc. encobrem a mesmice da ordem, caos, ilogicidade e loucura que é o cotidiano. É preciso já estar doido “naturalmente” para não perceber.
Meu apego mais forte tem sido o Amor apesar desta tendência correr riscos pela banalidade tão comum nestes tempos e o uso ideológico indiscriminado.
Assim tão certo quanto o nascer do sol a cada dia é a dúvida que me corrói, em vez de diminuir só piora. Vou teimosamente achando que sou um caso sem solução, uma espécie que desafina o coro dos contentes. Onde exatamente eu entrei na contra-mão? Quem está errado? Este parapeito mantém minha coluna ereta e tenho vontade de voar, para vocês que ficam, até mais, foi bom e ruim enquanto durou.