De quem é a culpa?

terça-feira, 26 de julho de 2011

ARABESCO (de Marcos Salvatore)




Não, meu amor. Não é um poema – gosto de poesia, realmente, mas... -; é só uma coisa pra você; (também minha...) às três da madrugada. São tentações de cognitivo e grávido gesto, expressas em muitas palavras sem querer de um afetuoso sonho não dormido, insone no gozo de provar – sei que gosta quando falo assim. Você me diz sempre que pode. Se queixa que eu paro quieto, que a barra pesa lá fora.

Nosso amor não deixa fósseis nem rochas, só sentimentos em relevo. Ao seu lado, palavra por palavra, eu talvez me aprenda como sou, apenas sendo e aceitando este ser mais velho além de você, que me invade constantemente as recusas. Anos-luz dentro... fora. Agora, aqui, escondido em vida própria pouco antes da gente se conectar – tenho medo, eu custo um pouco: - “Estou do avesso, me dobre”.

Há quanto tempo se troca por um degenerado, louco transitivo? Aplicado em te divertir com narrativas de noites e noites sem dormir. Muitas histórias de alguém tentando voltar pra casa, não só as mãos vazias - nem tudo está ao nosso alcance de parir. Cada qual na sua onda, sua praia, procurando se ligar. Maior sujeira, se abrir, desabafar de bar em bar: é tudo tão ensurdecido. Sei que concorda.

Você não me dá escolha, a não ser ficar e esperar passar das duas, me permitindo pensar que tudo que temos são as horas que não percebemos quando estamos juntos - a condição é essa. Acho até que, inevitavelmente, ser feliz deve ser isso: não perceber que se guarda (ou aguarda) o que é vital.

É comum eu me descabelar na sua boca, entre suas pernas – seguro nos seus peitos pra não me despedaçar na luta contra as coxas. Não sei mais como me vestir, nem me ferir. Tudo isso, nada disso. Não sei mais vagar por aí. Então te respiro os cabelos insanos: - Me dispa! Me fira! Me viva, porque eu não sei do que se trata se não for amor! Nunca soube. Até sabia. Até achava, depois perdia. Até hoje... outro dia.