De quem é a culpa?

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

ECLA (Por Fabio Castro e Marlon Vilhena)


Trilha Sonora: Buzinas e gritos de uma final de Libertadores em Sampa.

Ela dançava desconjuntada,
Eu bebia desesperado.
Fumava sim!
Simultaneamente à dança dela.
- Já vão?
- Não. Depois...
Os braços na fumaça do último acorde
Do primeiro segundo do para-sempre.
O cigarro queimando sobre a tinta da noite,
As calçadas,
Uma sinfonia decadente.
Alguém declama a vida inteira na sarjeta,
Alguém retoca o batom nas buzinas,
Um te amo no gozo de um nada.
- Tem moeda prum sorriso?
- Tenho! Mais que uma moeda. Tenho o troco de um beijo. Muito além que um gozo, além que a sarjeta, além que o nada, mas aquém de um sorriso.
A música vai e vai,
Enquanto o mendigo recita tragédia com compaixão.
Compaixão com maçãs de açúcar.
Açúcar sexo com infinito.
Infinito no acorde do violão.
E ela se amava desconjuntada.
Caem a noite e os olhos, e a música não.
Caem os copos e os corpos, e a dignidade não.
Caem os sonhos e os anseios, e a realidade não.
Cai o batom dela no chão, e ela não.
Apenas agachou para apanhá-lo.