De quem é a culpa?

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terça-feira, 3 de maio de 2011

Celina não sabia gozar duas vezes (de Ronaldo Fonseca)

A fragilidade é tanta

E tanto é o seu temor

Qualquer toque, profundo êxtase

Acompanhado de infinita dor



O desejado muito esperado

Depois remorso e pavor

Por que tanta punição ao corpo

Querer torná-lo sem cor?



O botão fica viçoso

E logo explode em flor

Lança-lhe o Astro espada quente...

Ela é toda orvalho e frescor



No dia seguinte, se um novo raio a procura

O canteiro já se fez sepultura

Uma cruz solitária é o único esplendor

sexta-feira, 15 de abril de 2011

MENINO (de Ronaldo Fonseca)

Trilha Sonora: Menino Nu, Casinho Terra


O menino anda triste
Não acena para as flores
Falam e ele não ouve
Não tem olhado o mar

Fecha-se no quarto
Rabisca interrogações no diário
Lê velhos e novos poemas
Ouve músicas e chora

Tem buscado um amigo

Ele quer gritar
Quer ser ouvido...

Mas ainda canta

quarta-feira, 16 de março de 2011

LARANJAS (de Ronaldo Fonseca)

Trilha Sonora: Minha Sereia

Laranja-cravo
-comum
ou baía
diferentes sumos
texturas
e sabores
mas iguais na alegria

Alegrias verdes
e amarelas
quando fruto
Ou uma alegria anterior
de cor branca
e cheiro de néctar
quando flor de laranjeira

Algumas laranjas
derramam seu caudo
por fartas mesas
Outras são apenas
objeto de desejo
de barrigas secas

No campo ou na cidade
é preciso democratizar as laranjas,
as laranjeiras

sábado, 19 de fevereiro de 2011

É PRECISO VOAR (de Ronaldo Fonseca)

Trilha Sonora: Equatorial, Lô Borges.

Deixemos que nossas asas cresçam
E a plumagem se erice ao vento
É tempo de enterrarmos a corrente
Darmos asas aos nossos sentimentos

O medo cai da bagagem
Quando o coração vira enchente
É tempo de voar
Ir de encontro ao transparente

É chegado o momento
De pousarmos um no outro
Num encaixe de liberdade e cimento

http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/2781399

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

DOMINGO (de Ronaldo Fonseca)

Trilha Sonora: Natureza

Na rua as pessoas sorriem
Brincam, jogam conversa fora
As janelas saúdam
Os corpos seminus
Molhados do banho de mar
Correm felizes as crianças
Em suas bicicletas
Os bêbados caem pela calçada
Tomam conta dos butecos

O sol me puxa
Pelas mangas da camisa
E avisa:

- É domingo.

Um presente de http://recantodasletras.uol.com.br/autores/ronaldofonseca