De quem é a culpa?
- Fabio Castro (39)
- Marcos Salvatore (167)
- Marlon Vilhena (63)
- Renato Gimenes (74)
- VERSÕES CONJUNTAS (19)
terça-feira, 11 de março de 2014
sábado, 2 de julho de 2011
Achado III (Por Fabio Castro)
Trilha Sonora: Memória da pele – João Bosco / Waly Salomão.
A mesa se acomoda
Conforme os corpos.
E eu, conforme os copos
Os corpos, os copos...
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Achado II (Por Fabio Castro)
Trilha Sonora: Como dois e dois – Caetano Veloso.
Que minha vida sentimental
Seja refém de mim mesmo.
Toque...
Desejo...
Sexo...
Amor...
Saudade...
Tornem-me refém
Ao concretizar meus sentimentos.
Achado I (Por Fabio Castro)
Trilha Sonora: Futuros Amantes – Chico Buarque.
Hipoteticamente falo de amor
Nos meus sonhos.
Hipoteticamente vivo este sonho,
Não necessariamente o amor,
Mesmo hipoteticamente amando.
Hipoteticamente sinto saudade,
Momentaneamente sinto desejo,
Periodicamente vejo-me sofrendo,
E, hipoteticamente, sinto este amor morrendo.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Fragmentos Etílicos V (de Ana Maria Rocha, Marlon Vilhena, Fabio Castro e Marcos Salvatore)
terça-feira, 5 de abril de 2011
MENINAS DO PORTO DO FOGO
(Por Fabio Castro)
Meninas, mulheres, senhoras.
Mas todas meninas.
Porque ali, naquele momento,
Todas eram meninas,
Crianças e,
Por algum motivo,
Encontraram-se lá.
Era a praia do Paraíso.
Mas não era o paraíso
Que conhecíamos.
Era o Paraíso que elas fizeram,
Que elas conceituaram.
E assim continuaram lá.
A olhar o fogo.
Sentadas ao redor de uma mesa de madeira,
Pareciam não se importar com o mundo.
Estavam lindas, radiantes,
HILariantes, MAternas...
O manso modo e delicado
De falar entrava em confronto
Com a labuta do dia-a-dia
Que, no momento,
Fizeram questão de não falar,
De deixar para trás,
De sequer lembrar.
Elas estavam prontas, então!
Decididas,
Fortes,
Impiedosamente determinadas
A brincar com o tempo.
Coisas de meninas...
E o tempo tornou-se presente
E ausente para elas:
Uma equilibrava-se entre as ondas e as pedras
Em função da maré e do tempo.
Outra boiava nas ondas e sobre as pedras
Curtindo a maré sem se preocupar com o tempo.
Umas embalavam-se em redes ao som da maré,
Mas desconsideravam o tempo.
Outras embriagavam-se de poesia,
Porque queriam aproveitar o tempo.
E todas estavam atentas, felizes,
Inquietas, porém livres...
Desfrutando o que parecia
Não fazer há tempos.
Mas assim fizeram.
Eram apenas dois dias,
E, àquela altura,
Ainda tinham tempo.
E, por isso,
Estavam prontas e fortes.
Sim! É isso. Prontas e fortes.
Mas sensíveis também.
Porque havia nelas
Uma sensibilidade
Não menos densa
Ao café,
Ao jambu,
À rede,
Às formigas,
À cerveja,
À caipirinha...
Eram elas que estavam lá!
Ainda assim lindas e meninas.
Regendo as quebradas soLENEs das ondas.
Rindo, encantadas
Com a poesia
De Saramago.
E, nisso tudo,
Estávamos nós.
Atônitos, uIVAntes,
Ao som de ondas CELIbatas.
E, como num “aluguel” de flores,
Contemplamos a essência da beleza
E da sabedoria
De MARGAridas.
segunda-feira, 28 de março de 2011
CRONIKETA VII (Histórias de Raquel e Solange)
(Por Fabio Castro)
- E aí, Quelzinha, o que houve? Teve uma hora que você sumiu...
- Menina... conheci um americano escândalo!
- Sério?!
- O quê? Desse tamanho. De perder de vista.
- E aí? Conta, conta!!
- E aí nada. Ele não falava uma palavra em português e você sabe que o meu inglês não existe. No máximo que rolou foi um beijinho no rosto.
- Que horror, Quequel!!
- E você, Sô, por onde andou?
- Eu continuei um pouco no bloco, mas logo me dispersei quando me agarrei com aquele russo espetáculo, lembra?
- Tá brincando? Aquele que era de fechar o comércio?
- Isso! Esse mesmo.
- Menina!... mas ele falava português? Porque russo eu sei que você não fala...
- Nem uma palavrinha.
- E como vocês se comunicavam?
- A mão dele falava português fluentemente.
- E eu presumo que a sua, russo.
- Desde pequena. Você não sabia que as mãos são poliglotas?
- Ai, Sô, não sei como você tem coragem!
- Hum... hum... tão menina, tão mulher e tão tola.
CRONIKETA VI (História do garçom Théo)
(Por Fabio Castro)
Trilha Sonora: O último dia – Paulinho Moska & Billy Brandão.
- Bandido: Isso é um assalto. Passem todo o dinheiro do caixa e as joias.
- Garçom Douglas: Por favor, moço, vamos passar, mas não atire.
Enquanto o garçom Douglas recolhia o dinheiro, alguns gritos foram ensaiados, mas logo abafados pela demonstração das armas de fogo. O garçom Théo observava atentamente todo o bando e foi acometido por um sentimento que transitava entre o pânico e o desejo.
- Bandido: Rápido com isso, rapá. Não tenho o dia todo. Ei, vagabundo! Solta esse telefone. Quer levar um tiro, seu merda?
- Garçom Douglas: Por favor, moço, não nos machuque!
- Bandido: Vou logo avisando que se não tiver muito dinheiro aí, vamos comer o cu dos garçons.
- Garçom Douglas: Por favor, moço, não faça isso? Estamos trabalhando e já é final de expediente. Todo mundo aqui tem família. Faz isso não!
- Garçom Théo: Cala a boca, Douglas, você não entende nada de assalto.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
TOURO (CHATO. EU?)
Trilha Sonora: Todo Errado – Jorge Mautner & Podres Poderes – Caetano Veloso.
O BILHETE – 10h.
- Bom dia!
- Bom dia, senhor.
- Por favor, eu quero uma passagem de camarote para Belém.
- O senhor quer uma cama?
- Não! Camarote mesmo.
- Não vendemos camarote, senhor, vendemos cama.
- Como assim?
- É o seguinte: nós temos passagens para rede e para cama.
- Mas no barco que eu vim, eu comprei camarote. Neste não há camarote?
- Há, senhor. Mas é que no camarote há quatro camas, aí o senhor compra uma delas. Entendeu?
- Quatro camas? No que eu vim havia apenas duas. E era camarote.
- Não! O senhor veio numa suíte, então.
- E nesse barco, não há suíte?
- Há, senhor.
- Então eu quero uma suíte.
- Como lhe disse, na suíte há duas camas. O senhor tem de compra a suíte inteira.
- Por que isso? Eu estou sozinho. Não preciso de duas camas.
- Infelizmente, senhor, só posso vender a suíte inteira.
- O que um passageiro sozinho precisa fazer pra viajar numa suíte? Ficar aqui em prontidão esperando que outra pessoa resolva comprar passagem?
- Desculpe, senhor. Mas só posso vender a suíte inteira.
- Então me venda mesmo o camarote.
- O senhor quer dizer uma cama?
- Linda, se sou apenas uma pessoa e estou comprando uma passagem no camarote, não fica subentendido que eu estou querendo apenas uma cama?
- É que, no camarote, nós vendemos camas, senhor.
- Ah...então eu posso levar a cama?
- Não, senhor!
- Ok! Tu do bem! Me vende então uma cama. Fazer o quê? Mas... no camarote!
...
- Sua passagem, senhor.
- Que horas sai exatamente o barco? Preciso calcular o tempo de viagem.
- Às 18h, senhor. Mas há uma tolerância de meia hora.
- Sei. Ele sai as 18h e 30min, né?
- Não! Na sua passagem, a hora marcada é às 18h.
- Escuta, querida, ele sai deste porto mesmo ou eu preciso nadar até a outra margem?
- Sai daqui mesmo, senhor, às 18h.
- Aff!!
O CAMAROTE – 18h 15min.
Um senhor que comprou uma das camas...
- Boa noite!!
- Olá! Boa noite.
- Escuta! Você vai aí nessa cama?
- Sim. Esse aqui não é o camarote nº 9?
- É... mas... você vai ficar aqui ou vai sair?
- Por quê?
- Porque eu quero dormir.
- E daí? Durma ué!
- Se você ficar entrando e saindo, não conseguirei dormir com o barulho.
- Desculpe-me, meu senhor, mas não vou deixar de ir ao banheiro ou fazer qualquer coisa que eu tenha direito nesse barco só porque o senhor quer dormir.
- A tua sorte é que eu tenho sono pesado!
- Minha, não! Sua.
UM PASSAGEIRO DE MEIA VIAGEM – 2h 33min.
No meio do rio, o barco diminui a potência para um embarque de um passageiro.
- É sempre assim? Um barco encosta no outro para o embarque dos passageiros?
- É... e a viagem de lá pra cá foi horrorosa. Choveu e balançou bastante. Pensei que fosse morrer.
- Você está vindo de onde?
- De Bagre.
- Como é lá?
- É uma cidadezinha. Muito pequena. Só há três restaurantes e neles não vende filhote.
- Porque é Bagre.
- Não entendi.
- Deixa pra lá... Quer dizer que a viagem até aqui foi ruim?
- Puta merda! Não quero nem pensar!... E nesse barco aqui também é muito escroto. De vez em quando, ele arrasta em um banco de areia.
- Esse aqui?
- Sim! Olha! Olha! Tá sentindo? Tá sentindo ele arrastar?
- Não, cara, não tô não. Aqui é fundo.
- Mas ele arrasta. E pode até virar. Pode crer!
- Amigo, ao viajar de avião, você só fala em tragédias?
- Não. Por quê?
- Você está fazendo isso aqui.
- Foi mal. Vamos mudar de assunto, né?
- Acho bom!
O DESEMBARQUE – 5h 50 min.
A esta altura, já havia voltado para o camarote, mas não consegui dormir porque o senhor que não queria barulho roncava só como ele mesmo. Forma-se uma confusa fila para desembarcar...
- Por favor, amigo, não empurra.
- Então vai logo que eu quero descer.
- Eu também, porra!. O senhor não está vendo que há várias pessoas na minha frente?
- Ô povo lento!
- Diga isso a eles, mas não empurra...
O sujeito continuou resmungando atrás, mas agora três posições depois de mim. Resolvi ignorá-lo.
O TAXISTA – 6h 20 min.
Desembarque movimentado. Os taxistas disputavam os passageiros e vice-versa. Até que consegui um que, para meu azar, escutava um tecnobrega...
- Bom dia!
- Bom dia! Almirante Barroso, no Marco, por favor.
- Ok!
- O senhor pode desligar o som?
- Não gosta de brega?
- Detesto!!
Segundos depois...
- Foi boa a viagem?
- Conturbada!
- O barco chegou agora?
- Se o senhor não tem o que dizer, não pergunte!
- Opa! Desculpe.
- Tudo bem. Desculpe-me o senhor. Só estou com um pouco de sono.
- Eu entendo...
- Nesse horário ainda é bandeira 2?
- É! Bandeira 1 só a partir das 8h.
- Tem algum desconto?
- NÃO!
Taxista chaaato!...
(Por Fabio Castro)
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
"NENHUM MERGULHO É POSSÍVEL SEM SANGRAR" (Por Fabio Castro)
O tema proposto refere-se à última frase do conto “Em todos os sentidos”, da grande escritora Maria Lúcia Medeiros.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
CRONIKETA (V)
Bate-papo animado entre quatro pessoas numa pizzaria. Uma delas pergunta para a outra pessoa que chegou atrasada:
- Por quê tu chegaste só agora? tu moras aqui em frente.
- É que eu estava terminando de ver um filme: Moiséis.
- Ele é aquele que divide o mar?
- É... é aquele que pega a varinha e arrasa.
- Porra! Transformaste um cajado numa varinha. Ele não foi uma fada, ele foi um pastor, lembras? Rebanho... Ovelhas...
- Eu sei! Ele é aquele cara dos doze mandamentos. Que horas são?
- São dez!
- O quê? Dez horas já?
- Não! São dez mandamentos. Oba! Chegou a pizza. Graças a Moiséis.
Risos e engasgos simultâneos...
- Tá vendo! come devagar.
- Tá bom... tá bom... vou comer...
(Por Fabio Castro)
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Fragmentos Etílicos (IV): Ao Último Cavaleiro Ausente
(Sequência: Celi Abdoral (título); Fabio Castro; Marcos Salvatore; Marlon Vilhena)
Sim! Pergunte-me se vivo
O encontro com a morte pode
ser doce
Como a última gota de sede
Como o começo do sono numa rede
Criam-se rosas negras e belas
Fazem-se orações de pedra
Quedam-se luzes de madrepérolas
No orvalho de poemas brutos
Sim! Os poemas são delicadamente brutos
E as rosas continuam
Belas e negras
Negras e belas
Nos sabem os corvos
De asas tortas
[PS.: Para quem se alimenta de corações assados.]
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Tudo tem Limite.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
O SACO DO PAPAI NOEL (VERSÃO DE FABIO CASTRO)
Passa logo, janeiro.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Meia-noite e meia
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Croniketa IV
Homenagem II aos Instantâneos
Trabalhar com os problemas
Mal resolvidos do passado,
Em qualquer esfera,
É pior que resolver os futuros.
É preciso queimar os fantasmas.
(Por Fabio Castro)
Homenagem aos Instantâneos
Entre o não sentir
E aceitar o que sente,
Há alguém.
Guarde-a ou não
No seu porta-retratos.
(Por Fabio Castro)