De quem é a culpa?

quarta-feira, 16 de março de 2011

Trecho de A REDENÇÃO DO PORTO RECÍPROCO (de Marcos Salvatore)

by Jan Saudek


(...) Acho que a primeira vez foi quando eu apareci na aula de improvisação. Ela fez questão de deixar claro que o meu sotaque era irritante. Olhava-me com interesse e desdém, como se eu estivesse sempre nu, ou sempre mal vestido.
Na escuridão da sala, deveríamos dar as mãos e sentir frio, muito frio. Ficamos em frente um do outro, e quando a luz apagou ela largou minhas e mãos e esfregou as suas no meu pau, por cima da calça: - “Meu frio se aquece de outra forma”.
Ajoelhou-se e enfiou meu pau imediatamente na boca. Fiquei com medo que acendessem as luzes e nos pegassem naquilo, ao mesmo tempo em que torcia para que continuasse até o final. Sua língua e dentes trabalhavam de tal forma que senti meu saco quase sendo dilacerado. Guardei um silêncio só comparável ao de monges tibetanos diante do fogo. Por fim, gozei profundamente, uma pequena lágrima quente abandonava a cruzada em meu queixo, sabia que ela engoliria tudo, até a última gota. Só não gostei do que ela fez em seguida: As luzes se acenderam e ela, na frente de todos, me beijou com toda a sua força, língua e pulmões, me deixando sem ação. Todos riram. Tive a sensação de ter chupado meu próprio pau por tabela. Saí correndo de lá e me tranquei no banheiro pra vomitar e chorar de vergonha e humilhação.
Olhei pra minha calça e tremi quando percebi o sangue: ela tinha esfolado meu pau com os dentes.
Coloquei o que tinha na mochila e fugi de lá como um ladrão; saí pelos fundos. Prometi que não voltaria mais.
Menti.
Na semana seguinte eu estava lá, disposto a ficar todos os horários, querendo mais; perdia o sono, batia punhentas homéricas pra ela, sempre ela; tive febre por dois dias:
- Vagabunda. Você é a mulher mais vadia que eu já conheci.
- Hum, você não conheceu muitas mulheres, mas tem potencial para conhecer todas que quiser, só precisa trabalhar essa timidez de interior e transformá-la em pau duro.
Trepávamos em qualquer lugar. Ela gostava de ser pega. Gostava de gritar, de chamar atenção. Num cemitério havia um enterro, e depois do velório entramos na capela, trancamos a porta e os seus berros certamente podiam ser ouvidos a quilômetros dali, até o morto a ouviria trincando os dentes enquanto eu castigava, sem perdão, seu botãozinho cor de rosa: - “Me deixa segurar na cruz, me deixa! Eu quero o padre, eu quero dar pro padre também, eu quero o pau do defunto!”. Hum, a Mazzi realmente não era normal.
Eu a chupava com poder e desejo, Virginia Woolf não chuparia uma mulher com tanta vontade e decisão. Adorava a sua carne, suas dobras, seus gemidos ora terríveis ora preguiçosos, submissos a minha língua obcecada.
É até engraçado, mas só aprendi o nome de certas coisas que fazia com ela recentemente, cunilíngue é uma delas. (...)

Continua...